
As frestas de Mauricio Parra
Uma das principais qualidades do artista plástico digno desse nome é saber encontrar na própria obra trajetórias que permitam caminhos de conhecimento do mundo e de si mesmo. Esse exercer o próprio olhar sobre o que se faz demanda um progressivo amadurecimento.
Na série intitulada Frestas, Mauricio Parra atinge esse estágio. Primeiro, ocorre um desenvolver do ato de olhar o mundo, com cadernos, de imagens de escadas, cantos de parede, frestas ou jogos de sombra dentro de garagens. Em seguida, surge a necessidade de uma pesquisa visual sobre esse universo.
O processo encontra seu ápice quando o desenho de observação começa a ceder lugar ao pensar e imaginar o assunto escolhido. Associa-se a isso à ação de pintar alla prima, algo que vai ganhando espaço na prática do jovem artista. Assim, as frestas são espaços em que o trabalho se aprimora.
Uma fresta, para os dicionaristas, é uma pequena fenda ou abertura por onde é possível olhar. Para Mauricio Parra, no entanto, se transforma num grande todo onde mostra que o saber pensar sobre a pintura feita é o passo essencial da consolidação de uma carreira que se distingue pela descoberta de que os cantos de um espaço são avenidas para quem sabe olhar.
Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).


















