
Postulando que a expressão mais popular na era do celular-com-câmera é o retrato, resolvemos pensar o gênero, sem no entanto flertar com a Grande Arte.
Visto que nossa maior proposta como coletivo curatorial é selecionar e exibir uma produção artística nova, nós investigamos neste projeto trabalhos que identificamos como formas atuais de retrato. Nosso processo de pesquisa incluiu intensa busca de artistas e imagens, na qual observamos características recorrentes, como informalidade e intimismo.
Mas o que é essa intimidade/informalidade que reconhecemos na prática atual do retrato?!
Um retrato carrega a distância entre o retratista e o retratado, ou a distância entre o artista e ele mesmo, no caso de um auto-retrato. Esta separação é imensurável. Mas a distância entre o retrato e o espectador pode ser nula a partir do momento em que este é afetado, quando a obra dialoga com sua própria subjetividade; procuramos selecionar obras que promovem essa aproximação.
Nosso objetivo é também comparar as tendências do retrato pessoal, referente a pessoas específicas, e da representação da figura humana, em obras que, ao invés de nos sugerir aspectos interiores de uma pessoa determinada, jogam com valores universais da humanidade.
Embora tenhamos a preocupação de estar abertos a diversas midias, apostamos na subjetividade como guia da escolha dos trabalhos. Portanto privilegiamos o pequeno formato e o trabalho sobre papel, partindo do pressuposto que essas características exigem uma aproximação do espectador com a obra, intensificando a intimidade/informalidade dessa relação.
Com este projeto reunimos jovens artistas de diferentes cidades e backgrounds, muitos dos quais têm seu trabalho inédito no Brasil.
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